Lea sentiu o desespero correr pelas suas veias. Precisava respostas imediatas, precisava reprimir suas auto-desavenças como alguém que confronta o espelho após uma ressaca. Decidida, iria à necromante. Mas não uma qualquer, uma realmente boa, que somava em seu currículo décadas de experiências e auxílios extracorpóreos.
Evitando os blás corriqueiros sobre os amores que virão e que foram, a ansiedade se mostrou na indelicadeza de sua idade, saltitante pelas tais respostas à sua mística vida.
Tão grande foi, senão o prólogo que ouvira da tal senhora. Em uma saraivada de palavras benignas, construções de pontes para o sucesso e, além disso, principalmente, caminhos trilhados em flores, Lea se viu realizada. Como um soco esquerdo na parede de seu estômago, uma injeção de ânimo tomou sua pequenez humana. Pronto. Era tudo.
Pagou-lhe os vinte e alguns reais pela consulta, que renderiam à velha senhora nada mais que algumas carteiras de cigarro, apanhou o metrô rumo à casa ao som de Marisa Monte e sorriu, mas sorriu durante horas a fio. Tal felicidade se dava somente ao fato de se lembrar que sua vida seria, a partir de agora, seguramente garantida. Afinal, os astros corroboram. Afinal, tudo está escrito, é inegável. Adeus, velha ironia conflitante.
Como sempre, sempre sozinha em casa. Despiu-se, andou saltitante rumo ao banheiro, desta vez, ao som de Vanessa da Mata. Para aliviar o passado e preparar seu templo corpóreo ao futuro brilhante, era necessária uma ajuda extra do elemento mais ou menos puro possível: água clorada.
Era jovem, elétrica, feliz por ter um futuro promissor. Era Lea. Saltitante em meio a um banheiro úmido e repleto de vapores advindos de um chuveiro fervilhantemente prazeroso.
Num lapso temporal, sabe-se lá quão rápido foi, no seu mais belo saltitar, somado ao verso enebriante que dizia "amanhã serei bem mais feliz", chocou-se o silêncio. O chão do banheiro, quente e úmido, já não era mais tão prazeroso. Era fúnebre, encharcando uma camada vermelha de sangue, enrubescendo o ambiente de lajotinhas azuis e verdes.
De Lea, agora, restava apenas um corpo banhado na vermelhidão da morte. Apesar disso, seu sorriso, intacto e lúgubre ainda indicavam que estava satisfeita. Seu futuro seria fantástico, onde quer que estivesse.
Tão grande foi, senão o prólogo que ouvira da tal senhora. Em uma saraivada de palavras benignas, construções de pontes para o sucesso e, além disso, principalmente, caminhos trilhados em flores, Lea se viu realizada. Como um soco esquerdo na parede de seu estômago, uma injeção de ânimo tomou sua pequenez humana. Pronto. Era tudo.
Pagou-lhe os vinte e alguns reais pela consulta, que renderiam à velha senhora nada mais que algumas carteiras de cigarro, apanhou o metrô rumo à casa ao som de Marisa Monte e sorriu, mas sorriu durante horas a fio. Tal felicidade se dava somente ao fato de se lembrar que sua vida seria, a partir de agora, seguramente garantida. Afinal, os astros corroboram. Afinal, tudo está escrito, é inegável. Adeus, velha ironia conflitante.
Como sempre, sempre sozinha em casa. Despiu-se, andou saltitante rumo ao banheiro, desta vez, ao som de Vanessa da Mata. Para aliviar o passado e preparar seu templo corpóreo ao futuro brilhante, era necessária uma ajuda extra do elemento mais ou menos puro possível: água clorada.
Era jovem, elétrica, feliz por ter um futuro promissor. Era Lea. Saltitante em meio a um banheiro úmido e repleto de vapores advindos de um chuveiro fervilhantemente prazeroso.
Num lapso temporal, sabe-se lá quão rápido foi, no seu mais belo saltitar, somado ao verso enebriante que dizia "amanhã serei bem mais feliz", chocou-se o silêncio. O chão do banheiro, quente e úmido, já não era mais tão prazeroso. Era fúnebre, encharcando uma camada vermelha de sangue, enrubescendo o ambiente de lajotinhas azuis e verdes.
De Lea, agora, restava apenas um corpo banhado na vermelhidão da morte. Apesar disso, seu sorriso, intacto e lúgubre ainda indicavam que estava satisfeita. Seu futuro seria fantástico, onde quer que estivesse.
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