Quando Amanda desfaleceu e caiu, por si só, numa escuridão profunda, legitimou mais que simples declarações e lamúrias post-mortem. Deixou um legado seguido por discípulos mútuos e interdisciplinares. Era tarde demais para um adeus. Já não ouviria mais quão singular vida representara.
Durante o percurso de seu quase concluído doutorado em medicina, refutava qualquer ideia sobre deus, diabo, salvação ou mármores infernais. Pela última vez, percebeu quão errônea seguia. Era conflituoso e, por quê não, dolorido não poder informar tamanho equívoco aos seus.
Mae, sua melhor companheira em vida já havia decidido. Amanda precisava voltar.
Por (in)felicidade do destino, somado ao amplo conhecimento adquirido, e, ainda, aparatos tecnológicos de terceira geração, era possível concretizar tal façanha.
Às vinte e três horas e vinte minutos de um verão chuvoso, a experiência toma forma. Em menos de nove horas, surpreendentemente, o sopro de vida foi restabelecido. A equipe sombria comemora. Os batimentos de Amanda palpitavam num soneto miraculoso.
Ela havia voltado. Era ela. Talvez. Não. O breu dos seus olhos, neutros, indicava que estava viva. Mas, tanto quanto rápido, todos estariam mortos.
Quando Amanda desfaleceu, era Amanda. Era.