“Enganados pela ciência, embrulhados nas sutilezas balofas da economia
política, maravilhados como crianças pelas habilidades da mecânica,
durante setenta anos construímos freneticamente vapores, caminhos de
ferro, máquinas, fábricas, telégrafos, uma imensa ferramentagem,
imaginando que por ela realizaríamos a felicidade definitiva dos homens e
mal antevendo que aos nossos pés e por motivo mesmo dessa civilização
utilitária se estava criando uma massa imensa de miséria humana, e que,
com cada pedaço de terra que fundíamos e capitalizávamos, íamos criar
mais um pobre.”
Eça de Queiroz